quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

PROJETO HIDROTERAPIA PARA AUTISTAS

Diante do número considerável de crianças e adultos, com diagnóstico de autismo, na APAE de Piumhi elaboramos o Projeto Hidroterapia para Autistas, com o objetivo de proporcionar a estes alunos uma melhor qualidade de vida e independência em suas atividades de vida diárias.
O autismo é uma síndrome caracterizada por alterações que se manifestam na interação social, na comunicação e no comportamento do indivíduo.
Normalmente, manifesta-se por volta dos três anos de idade, persistindo por toda a vida adulta. As causas ainda não foram claramente identificadas e várias abordagens de tratamento têm sido desenvolvidas.
As pessoas com autismo têm um modo diferente de aprender, organizar e processar as informações. Para respeitar estas diferenças, elas precisam de ambientes estruturados e organizados, pois normalmente os autistas apresentam dificuldade em mudar suas rotinas diárias.
A Hidroterapia é uma especialidade da Fisioterapia, que compreende exercícios terapêuticos realizados em piscina aquecida, baseados em inúmeras técnicas que visam à prevenção e à reabilitação. A água proporciona estímulos motores, sensoriais e visuais, muito importantes para o desenvolvimento humano.
Do ponto de vista psicológico, a habilidade de ser independente na água e de atingir as habilidades que podem ser difíceis no solo só pode ter efeitos psicológicos favoráveis e duradouros, que elevam a confiança, e isso é transferido para o seu dia-dia.
Desde o início do projeto até o momento já foi possível observar uma melhora significativa em nossos alunos. O trabalho em grupo realizado na piscina tem apresentado vantagens consideráveis no tratamento do paciente autista, entre essas vantagens estão: motivação, socialização e melhora da concentração.
Os alunos têm demonstrado boa aceitação ao tratamento, o atendimento de hidroterapia já faz parte da rotina de cada um. Muitos alunos realizam o percurso até a hidroterapia independentemente e trocam de roupa sozinhos.
Além disso, os alunos abordados pelo Projeto vêm ganhando confiança por intermédio do trabalho em grupo, desenvolvendo-se um sentimento de amizade e tornando-os mais extrovertidos.
Mariana Pereira Ramos
Patrícia Pontara Gonçalves
Fonte: APAE de Piumhi

sábado, 13 de dezembro de 2014

E a moça autista da novela, heim??? O DIVÃ

Gostei da matéria deste blog. A DIFICULDADE MAIOR EM SER ASPERGER É QUE NÃO EXISTEM TONS DE CINZA OU É BRANCO OU É PRETO. Por causa disso que muitos encontram dificuldade em viver na sociedade.

Eis que, de repente, minha caixa de email começou a lotar com mensagens de gente perguntando qualé a da moça da novela…
“Mas uma pessoa autista é daquele jeito mesmo?”
“Um autista pode namorar?”
“Pode isso, Arnaldo?”
(Não exatamente assim, mas meio por aí…)
Vamos começar esclarecendo  o seguinte:
1. A personagem da novela Amor à Vida, a Linda, NÃO É AUTISTA, ok? Apesar do autor “querer” retratar um indivíduo com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as características demonstradas pela Linda no desenvolvimento da personagem são confusas e muitas vezes jamais se enquadrariam nas características de pessoas com TEA…
2. Pessoas autistas têm uma imensa variedade de características, diferentes de indivíduo para indivíduo. Cada uma terá determinadas características diferentes das outras. Principalmente, há GRAUS variados de comprometimento desde um autismo leve (que a gente chama de “alto funcionamento”, porque geralmente não impede que a pessoa tenha uma vida relativamente “normal” e produtiva) até graus bem severos, em que há muito comprometimento das funções cognitivas, da comunicação e dos comportamentos.
3. O tratamento psicológico da Linda, como foi mostrado na novela, dá vontade de chorar. Sério: quantas vezes mesmo a gente viu o Psicologuinho-da-Novela em sessão terapêutica com a Linda? Eu contei três. E em NENHUMA delas o que foi mostrado chega nem em sonho perto do que é realmente o tratamento adequado para autismo. Teve uma cena em que o Psicologuinho-da-Novela segurava um cartaz  e dizia pra Linda: “Olha aqui, é assim que arruma a cama. Hoje você vai arrumar a cama, tá?” E daí a Linda ia lá e arrumava a cama… Not even in your wildest dreams que uma pessoa com comprometimento cognitivo severo – como a personagem demonstrava naquele ponto da trama – ia adquirir uma habilidade tão complexa como arrumar a cama só de olhar pra um cartaz, ok??? ISSO NON ECXISTE!!!!
4. O desenvolvimento cognitivo, social e comunicativo da personagem deu um salto imenso desde que ela começou a ser tratada (em três sessões!) pelo Psicologuinho-da-Novela. Não é beeeeeeeeeeem assim que acontece… O tratamento do autismo é feito por diferentes profissionais: psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, T.O., neurologista, psiquiatra, e mais um monte de gente. E é um tratamento intensivo, todo dia, o dia inteiro, e envolve também os pais e os cuidadores da criança. Se iniciado precocemente, quando a criança é bem pequenininha, o desenvolvimento pode ser quase igual ao de uma criança típica em algumas áreas. Mas quanto mais tarde o tratamento é iniciado, mais lento é o resultado.
5. Aí o Adêvogado-Gato apareceu, deu um monte de tintas, pincéis e cartolinas pra ela, e OLHA-SÓ!, praticamente CUROU o TEA da Linda. Só pra deixar BEM claro: amor só cura dor-de-cotovelo e DPPnB (Depressão Pós Pé-na-Bunda), ok???
(Disclaimer: Arteterapia é uma tipo de terapia de suporte válida e embasada em evidências. Dar um monte de guache prum indivíduo autista e falar “pintaê, meu filho!” NÃO É ARTETERAPIA!!!!)
Mas… mas… mas…
Ora? Direis… Ouvir estrelas? Não, péra!
Mas afinal, O QUE É AUTISMO?
Bear with me.
O autismo é uma síndrome (aka, conjunto de sintomas) que compromete três áreasdo desenvolvimento:
a. a comunicação/linguagem fica seriamente comprometida, com grandes atrasos na compreensão e na produção da fala. Alguns autistas têm falas inadequadas e repetitivas (ecolalia), fora de contexto e muitas vezes desconectadas da realidade.
b. a socialização: pessoas com TEA têm extrema dificuldade de manter contato social com outras pessoas. Bebês autistas não fazem contato visual e não conseguem manter atenção conjunta – se você apontar para um objeto, a criança vai olhar para a ponta do seu dedo e não para onde você está olhando e apontando. Muitas vezes os autistas relatam que não conseguem entender sinais de emoção nos outros, ou não conseguem entender e expressar suas próprias emoções e sentimentos. E a gente sabe que “são tantas emoções”… (Desculpa, não resisti.)
c. os comportamentos de pessoas autistas podem ser extremamente inadequados à situação e inapropriados. Não é incomum a presença de comportamentos abusivos ou auto-lesivos, em que a pessoa pode se machucar sério se não for contida. Também é comum que pessoas dentro do espectro autista tenham interesses restritos por algum tipo de objeto ou assunto, em alguns casos raros isso pode gerar uma “super-especialização” ou alta habilidade. Por exemplo, o cara se torna um virtuose do piano, ou é contratado pela CIA para descobrir códigos secretos. (Por favor, atenção ao adjetivo RARO. Obrigada.)
Então, de modo geral, o TEA (você vai achar por aí as nomenclaturas Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Transtorno Global do Desenvolvimento ou Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação, porque o nome varia de acordo com o manual que você usa, mas é tudo praticamente a mesma coisa) é uma condição que compromete todo o desenvolvimento do indivíduo. Seres humanos têm a incômoda mania de aprender coisas uns com os outros. Mas se o bebê já nasce com uma dificuldade de manter contato visual e atenção conjunta, fica difícil ensiná-lo a falar mamãe, a pegar o nariz do papai, a identificar quando a titia está sorrindo e sorrir de volta… e assim por diante, comprometendo todo o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Provavelmente por isso – a gente ainda não sabe com certeza absoluta, mas a hipótese é boa – há uma grande comorbidade entre autismo e déficit cognitivo.
Well… Todo esse preâmbulo pra chegar no assunto da semana, que é: “Mas e aí, o que você acha da moça autista da novela namorar?”

Linda e o Adêvogado-Gato…
Eeeeeeeeeeeeerrr… Olha, é complexo.
DO JEITO QUE ESTÁ NA NOVELA, ou seja, uma MENINA com sério comprometimento cognitivo e de comunicação, se envolvendo com UM HOMEM adulto, com desenvolvimento típico, provavelmente bem mais velho, e sem o consentimento da família: NÃO.
Fácil assim.
[Que parte de “uma MENINA que não é capaz de tomar decisões plenas se relacionando com um HOMEM mais velho e em situação de poder privilegiada” você acha que pode ser discutida?]
Ok. Moving on.
Como o autismo (assim como a deficiência cognitiva) tem vários graus, e cada indivíduo se desenvolve de maneira única, as coisas têm que ser analisadas caso a caso com muito cuidado e bom senso. (I know. I know…)
Muitas coisas deviam ser levadas em consideração em casos como esse: qual o grau de comprometimento cognitivo dessa pessoa? Ela consegue tomar decisões sozinha? Ela tem habilidade para pesar todas as consequências de suas decisões? Qual o grau de desenvolvimento emocional dessa pessoa (ou das duas envolvidas)? Há uma relação de poder e de “capacidades” muito desequilibrada entre as pessoas envolvidas? Esse relacionamento deve ser constantemente monitorado pelos pais e cuidadores ou o casal pode ter certo grau de autonomia e “intimidade”? E mais um monte de coisas…
As pessoa com TEA não têm necessariamente o desenvolvimento emocional comprometido, é claro que elas podem se apaixonar e ter um relacionamento romântico e/ou sexual saudável com outra pessoa. Há várias pessoas autistas casadas, pais e mães de família, que se dão muito-bem-obrigada com ou sem apoio externo. Mas há sim, e muitos, casos em que o autista precisa de supervisão e apoio constante até na idade adulta, porque ele não tem habilidade de tomar decisões complexas sozinho, ou não consegue se comunicar com eficiência, ou mesmo porque seu grau de desenvolvimento cognitivo não permite que ele  seja considerado “legalmente capaz”.
Pois é, tem mais essa questão da “capacidade legal“: pessoas com comprometimento cognitivo são consideradas como crianças pela lei. É o tal do “incapaz”, ou seja, a pessoa é “incapaz” de consentir com o avanço romântico e sexual de outra pessoa. Essa lei foi feita para proteger crianças e pessoas que não têm habilidade cognitiva suficiente para tomar decisões adequadas. Por um lado ela ajuda, mas por outro, pode atrapalhar quando o indivíduo, apesar do déficit cognitivo, é sim capaz de tomar decisões, mesmo que ele precise de ajuda e suporte profissional ou da família. Então, tudo tem que ser analisado com cuidadinho… e cada caso é um caso.
É. Tudo depende. Bem vindo ao mundo real, em que as coisas têm vários tons de cinza (UÔU!) e não são só preto ou branco.
Fonte: http://scienceblogs.com.br/odiva/2014/01/e-a-moca-autista-da-novela-heim/

domingo, 7 de dezembro de 2014

Visualizações de página por país... do dia 07/12/2014



O Blog Gabriel, Anjo de Luz agradece a visita.
Sempre trazendo a informação para a sociedade 
sobre Autismo. Obrigado!!!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Abaixo Assinado Posto de Saúde Jd Umuarama

Pessoal estou recolhendo assinaturas por papel e também online. Para aqueles amigos, parentes e conhecidos que estão distantes e que sabem da dificuldades que se passa com as crianças por não ter um posto de saúde no bairro, pois para ir no posto de saúde mais próximo tem que andar uma distância de 2km. Meu anjo azul Gabriel me ajudando. Eu o amo.
 — se sentindo abençoada.






quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Autismo e Integração Sensorial Parte 1

Integração sensorial
Integração Sensorial é a habilidade em organizar, interpretar sensações e responder apropriadamente ao ambiente, auxiliando nas atividades do dia-a-dia.
Kanner  e Asperger descreviam reações fora do comum de seus pacientes autistas com relação aos sons, toque, cheiros, estímulos visuais e paladar.
Alguns estímulos aparentemente comuns são percebidos como algo estressante, causador de medo e ansiedade, enquanto outros, como fontes de prazer e satisfação.
Crianças autistas com problemas sensoriais apresentam dificuldade em interpretar e organizar as informações sensoriais vindas do seu próprio corpo ou do ambiente.
Uma criança autista pode, por exemplo, ignorar um barulho muito alto ou não responder ao seu nome (Hipo-resposta), e ficar agitada e gritar ao escutar o barulho de liquidificador, enceradeira, secador de cabelo ou latido de um cachorro (Hiper-resposta). Pode ainda, reagir emocionalmente ou agressivamente ao toque (Hiper-resposta) ou apresentar necessidade incomum de tocar certos brinquedos, superfícies, texturas ou pessoas (Hipo-resposta).
A criança autista que apresenta Hiper-resposta  a estímulos sensoriais pode demonstrar alterações comportamentais como: agitação, choro imotivado, irritabilidade, movimentos estereotipados excessivos ou agressividade. Já a criança que apresenta Hipo-resposta  demonstra comportamento de passividade, sem reação aos estímulos externos e  pouca resposta para estímulos como toque, sons, cheiros, sabores e texturas.
Nesse sentido a abordagem de Integração Sensorial em crianças autistas, tem como objetivo: Diminuir movimentos estereotipados, aumentar a capacidade de atenção, comunicação, interação social, organização interna e melhorar desempenho em atividades do dia-a-dia.
Trabalhar a  INTEGRAÇÃO SENSORIAL promove:
  • Organização de conduta à criança;
  • Fornece condições para que a criança explore o ambiente.
  • Aumento da habilidade em manter a atenção;
  • Melhora na coordenação e planejamento dos movimentos para que a criança obtenha sucesso nas atividades que lhe interessam;
  • Melhora na autoestima e confiabilidade em si e em suas habilidades;
  • Melhora nos aspectos sociais e ambientais a partir da participação nestes contextos.
Quando o processo de Integração Sensorial é desorganizado, vários problemas de aprendizagem, desenvolvimento ou comportamento podem aparecer. Muitas crianças com distúrbio de Integração Sensorial são incapazes de brincar. Há certos distúrbios que tornam difícil para a criança interagir com o brinquedo. Pode parecer desajeitado em atividades que envolvam movimentos (Jogar futebol, pular corda) ou não conseguir manter um objeto seguro nas mãos, podem estar ligados diretamente ao processamento inadequado das informações sensoriais e a consequente não integração das informações sensoriais.
Uma sensação pode ser agradável para uns e extremamente desagradável para outros. Isso ocorre porque o caminho que as sensações fazem até o cérebro pode ser diferente na sua intensidade, com isso as respostas vindas do cérebro podem ser de Hipersensibilidade (+), de Hipossensibilidade(-) ou Intensidade Adequada
Os pais geralmente conhecem e compreendem seus filhos melhor que qualquer pessoa e às vezes precisam de ajuda para entenderem alguns comportamentos que observam nas crianças.
Indicadores de disfunção de INTEGRAÇÃO SENSORIAL:
  • Escolher sempre os mesmos brinquedos, preferencialmente aqueles que têm um papel claro e bem definido;
  • Passar de uma atividade a outra com frequência, não concluindo essas atividades;
  • Ao desenhar faz sempre as mesmas figuras;
  • Ser desajeitado e esbarrar em tudo que encontra;
  • Ter dificuldade de pegar uma bola ao ser jogada, não antecipando o movimento;
  • Preferir muitas vezes atividades mais sedentárias;
  • Apresentar dificuldades na alimentação, vestuário e higiene pessoal;
  • Apresentar dificuldade na imitação;
  • Evitar situações novas, frustrar-se facilmente;
  • Preferir seguir rotinas;
  • Criar rituais e rotinas;
  • Dificuldade em julgar a força necessária para tocar uma pessoa ou um objeto;
  • Apresentar incômodo ao cortar as unhas e cabelo;
  • Incomodar-se com etiquetas nas roupas;
  • Incomodar-se com um simples carinho, reagindo agressivamente, parecendo ansioso OU tocando objetos e pessoas excessivamente;
  • Não anda descalço OU adora andar descalço principalmente na areia ou grama;
  • Chora quando toma banho no chuveiro OU adora tomar banho no chuveiro;
  • Evita o toque e está sempre distante das pessoas OU quando tocado não percebe o toque;
  • A alimentação é seletiva, escolhe alimentos com base na mesma textura ou consistência OU adora comer alimentos com texturas variadas, crocante e/ ou apimentados;
  • Escovar os dentes parece muito sofrido;
  • Enjoa ao andar em carro ou ônibus;
  • Barulho de geladeira, liquidificador e ventiladores incomodam, muitas vezes dificultando sua atenção nos ambientes;
  • Evita parquinho (gira-gira, balanços, escorregador) OU adora parquinho e procura muita intensidade nesses brinquedos;
  • Não gosta de permanecer em filas;
  • Evita sujar-se, não gosta de brincadeiras que envolvem pintura, argila OU suja-se nas brincadeiras e não demonstra qualquer incômodo; não percebe que está sujo;
  • Usa roupas torcidas no corpo;
  • Morde-se OU morde o outro;
  • Parece ter prazer em cair;
  • Parece não ter saciedade OU não sentir fome;
  • Parece não ouvir e adora música alta;
  • Cheira objetos;
outros indicadores de  DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL (DIS)
  • Atraso na fala, na linguagem, nas habilidades motoras ou nas aquisições escolares;
  • Problemas com autoestima, podendo parecer preguiçosa, entediada ou desmotivada, evitando as tarefas que são difíceis ou que a envergonham.
Conhecer o perfil sensorial da criança é muito importante, pois há associação direta entre o comportamento apresentado e a maneira como uma sensação é recebida do meio ambiente.
O que caracteriza a Terapia de INTEGRAÇÃO SENSORIAL (IN)
  A Terapia de integração sensorial se realiza em um ambiente com vários estímulos, onde a criança poderá explorar os sistemas sensoriais e fazer bom uso destas, de uma forma lúdica e integrada com a Terapeuta Ocupacional (Ou outro profissional preparado)e  com pais.
Artigo feito em conjunto com a Terapeuta Ocupacional Ana Luiza 
Fonte: http://www.bemvindoaholanda.com/autismo-e-integracao-sensorial/

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Americana é presa por empurrar filho autista de ponte; menino morreu

Somente quem tem uma criança com autismo sabe o quanto sofremos no dia a dia e não devemos julga-la jamais e sim ter piedade e pedir a Deus misericórdia porque quantas vezes nos vimos no desespero? Eu costumo dizer que não tenho problemas com o autismo dos meus filhos, nem com o meu, meus problemas são sociais que terminam acabando com minha estrutura emocional e isso muitas vezes me leva ao limite a beirar o abismo por isso peço a Deus por todos nós... todos os dias.
Jillian Meredith McCabe
Jillian Meredith McCabe Foto: Reprodução / NEWPORT POLICE DEPARTMENT
Uma blogueira americana foi presa, acusada de homicídio, após empurrar seu filho autista de uma ponte histórica, em Seal Rock, Oregon (EUA), na noite da última segunda-feira. Jillian Meredith McCabe, de 34 anos, ligou para a polícia logo após cometer o crime. O corpo de London, de 6 anos, foi encontrado pelas autoridades horas depois, com ajuda de barcos e helicópteros. As informações são da rede NBC News.
Segundo a publicação, nos últimos meses, Jillian passava por momentos difíceis. Ela não só tinha problemas para cuidar do filho autista, que não falava, como seu marido Matt foi diagnosticado com esclerose múltipla.
“Estamos todos devastados. London era um ótimo menino”, disse o tio do garoto, Andrew McCable.
London morreu
London morreu Foto: Reprodução / Facebook
Através de redes sociais, Jillian falava sobre seus desafios diários com o filho e o marido. Ainda de acordo com a publicação, recentemente, ela havia entrado na justiça para pedir apoio financeiro ao governo.
A blogueira foi presa ainda na ponte, logo após ter ligado às autoridades. Ela não deu motivos para o crime e foi encaminhada à uma penitenciária local. O caso continua sendo investigado e policiais pedem que testemunhas se apresentam para depor.
A ponte curvada de Yaquina Bay, uma das mais famosas na costa de Oregon, foi inaugurada em 1936.
Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/mundo/americana-presa-por-empurrar-filho-autista-de-ponte-menino-morreu-14458860.html#ixzz3I9VzcMV6

Teoria da Mente (TOM) ou cegueira mental: entendendo e ajudando um autista a compreender o mundo


Muitos autistas passam por sem educação ou anti-sociais e até mesmo por frios e calculistas pois possuem dificuldade em se colocar no lugar do outro, perceber o que ele sente ou imaginar o que a pessoa pensa.
Teoria da Mente (TOM) é a habilidade de fazer suposições precisas sobre o que os outros pensam ou sentem que nos ajuda a prever o que farão. Aptidão importante para o convívio social e que é adquirida por volta dos 4 anos em um desenvolvimento típico e crianças com autismo desenvolvem posteriormente.
Podemos perceber a dificuldade de TOM em crianças autistas nas corriqueiras tarefas:
-Apontar coisas para outros.
-Estabelecer contato visual.
-Seguir os olhos de outro indivíduo quando esse está falando sobre aquilo que estão olhando.
-Usar gestos para comunicar-se.
-Entender as emoções no rosto alheio.
-Usar variação normal de expressões emocionais no próprio rosto.
-Mostrar interesse em outras crianças.
-Saber como envolver-se com outras crianças.
-Manter-se calma quando se sente frustrada.
-Entender que alguém pode ajudá-la.
-Entender como os outros se sentem em algumas situações (por exemplo, irritado ou amedrontado).
A medida que vão crescendo essa falta de habilidade já é demonstrada de outras maneiras:
-Tendência a pensar sobre o mundo de seu próprio ponto de vista, o que a faz parecer uma pessoa egoísta.
-Tendência a participar de atividades que não dependem de outras pessoas
-Foco apenas em suas necessidades
-Dificuldade em compreender a emoção alheia, portanto há uma falta de empatia
-Necessidade de estar no controle
-Falta de flexibilidade em interações
-Uso de regras sociais de forma rígida em vez de regras adaptáveis
-Tendência a mais receber do que dar (no dar/receber de relacionamentos)
-Problema com revesamento
-Tendência a tratar as pessoas igualmente, sem saber diferenciar idade ou autoridade
-Ser facilmente levado por outros em consequência de sua dificuldade de entender os motivos alheios
-Tendência a relacionar-se melhor com adultos, pois estes são mais previsíveis e podem ser mais tolerantes
-Dificuldade com brincadeiras de faz de conta e de entender o fato de contar mentiras
-Dificuldade em entender que seu comportamento afeta a maneira como os outros pensam ou sentem
-Dificuldade em entender sobre compartilhar entusiasmo, prazer ou pertences
-Tendência a falar excessivamente sobre determinado tópico de seu interesse sem considerar a opinião do ouvinte (por exemplo falta de interesse ou tédio de quem escuta)
Vendo essas características acima percebemos que autistas são julgados erroneamente como egoístas e muitos chegam a achar que eles não gostam de se relacionar com as pessoas por não terem capacidade de amar, o que é um absurdo pois eles são muito afetuosos.
Se tentarmos imaginar a dificuldade de compreender como alguém se sente ou pensa ou de levar em conta seu ponto de vista, percebemos como o mundo deve parecer confuso e assustador e como as interações sociais devem ser difíceis.
Mas é claro que nós podemos ajudá-los a melhorar essas habilidades sociais e podemos fazer isso de forma super prazerosa!
Algumas dicas são:
- Brincar de esconde-esconde (aqui vc tem que pensar onde seria difícil pra outra pessoa te encontrar, tem que prever acontecimentos)
- Brincar de teatro (cada um é uma personagem e juntos podem construir como ela pensa, age, veste, etc)
- Jogo de mímica em que um finge que é algo pro outro adivinhar ( a criança tem que se colocar no lugar da personagem, bicho, etc para imitá-lo)
- Jogo de perguntas para dedução ( A Criança vai ter que analisar as perguntas para ver qual resposta se encaixa melhor)
- Planejar programas em família! (pensar no que cada um gostaria, no que pode acontecer e prevenir se pode acontecer algo inesperado como uma chuva… se acontecer, o que fazer?)
- Adivinhações e enigmas (o que é o que é, qual é a música, qual é o filme, brincar de detetive)
- Piadas
- Ver filmes, desenhos ou novelas juntos para explicar as brincadeiras (senso de humor) e o sarcasmo e também os sentimentos (porque a personagem chorou ou ficou preocupada?)
- Colocar figuras em ordem para formar uma historinha (previsibilidade)
- Quebra cabeças (previsibilidade)
- Jogos de tabuleiros (previsibilidade, esportiva, saber lidar com frustração e espera)
- Jogos geradores de conversas como o Puxa Conversa e o o que você faria, vendidos em livrarias.
- Playmobil (Se colocar no lugar de personagens em castelos, florestas, etc)
- Videogueime (previsibilidade, frustração, persistência – cuidado para não virar isolamento… junte-se!)
- Criar funções diferentes pro mesmo objeto (banana vira telefone, vira uma meia lua, etc)
- Desenhar rostos no quadro ou caderno de acordo com o sentimento falado ou a história contada
Fonte: Livro – Convivendo Com o Autismo e a Síndrome de Asperger: Estratégias Práticas para Pais e Profissionais /Autores: Chris Williams e Barry Whrigt